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Deus endureceu mesmo o coração de Faraó

Como pensamos segundo o senso comum  e

como crer segundo a revelação

 Por Sodré Gonçalves

 

 

Quando vivemos um cristianismo racionalista, muitas coisas espirituais nos parecem loucuras e vice-versa.  Já que a razão é algo que julgamos dominar, o racionalismo nos faz achar superiores e entendidos da verdade. Já os pensamentos exauridos da revelação da palavra de Deus, nos humilha, e mostra os limites do nossas pobres e medíocres razões.

Na Bíblia existem grupos de passagens que indicam haver predestinação e outro grupo de passagens que indicam o livre-arbitrio, devemos considerar todas e não apenas o grupo de escritos sagrados que mais nos agradam.

Existem centenas de textos que recomendam não o livre-arbitrio, mas ideias de predestinação, eles devem fazer parte de nossa cultura teologica assim como os textos que indicam livre-arbitrio, e por mais que pareçam excludentes estas doutrinas, devemos simplesmente viver a luz das duas realidades, pois em parte conhecemos  e em parte não conhecemos, em parte escolhemos e em parte somos guiados, em parte amamos e em maior parte somos levados a amar a Deus e ao próximo.

A doutrina da predestinação pode nos ajudar a não nos orgulhar de nossos bons atos e a não  condenar em demasia aqueles que agem erradamente,  como se Deus não os tivesse guiano. Ter isso em mente pode nos trazer bençãos de não ficarmos orgulhosos e render toda a gloria a Deus pelos atos de  bondade, e ao mesmo tempo,  compreender um mundo perdido que não está sendo  guiado pelo altissimo.

Ao mesmo tempo, devido não termos noção do que está sendo guiado ou se o futuro está totalmente definido em seus detalhes ou não (apesar que Jesus mencionou que até os cabelos de vossa cabeça estão contados) devemos insistir com os homens para que busquem ao Senhor, afim de que Ele tenha misericordia dos que aparentemente  não estão sendo escolhidos, para que sejam, cumprindo assim a outra visão do outro grupo de passagens que nos transmite  ideias de livre-arbitrio. 

"Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.
Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.
Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.
Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade?
Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
Como também diz em Oséias:Chamarei meu povo ao que não era meu povo;E amada à que não era amada.
E sucederá que no lugar em que lhes foi dito:Vós não sois meu povo;Aí serão chamados filhos do Deus vivo".

Romanos 9:16-26

 

A predestinação é uma doutrina bíblica, nossa Igreja gostando ou não, nosso raciocinio concordando ou não. Não sabemos o nivel de liberdade que temos.  Não sabemos se a oração de incrédulo solicitando que seja escolhido possa mudar os planos divinos, a Biblia diz em algumas passagens que sim, como o caso do Rei Ezequias que foi predeterminado para morrer e orou,  e nos conta asescrituras que  a misericordia de Deus o deu mais 15 anos de vida. Mesmo assim cremos que ele nunca teria orado se Deus não o movesse. Então onde mora o poder irresistível de Deus e onde mora nossa liberdade em aceitar ou não?

Os apelos bíblicos e as ameaças tornam algum grau do livre arbitrio verdadeiro, mas não sabemos que grau é este. Nossa razão se desfalece juntamente com a repreensão de Paulo "quem  és tu oh homem que questionas a Deus".

O racionalismo nos faz escolher o que pensar a luz do senso comum que  sempre não é a verdade completa, mas guiados pela razão e pelo bom senso interpretamos a Biblia, colocando o homem acima da revelação e a lógica humana acima da verdade divina.

A verdadeira teologia sempre aponta ao infinito e não ao finito, ao humano, as convenções medicres de nossa lógica humana. Que Deus abençoe a IASD a se tornar IANA, pelo menos em teologia e coração, apesar que está determinado a IANA acontecer, não por razões humanas, ou convenções, ou poderes, mas pela visão do altíssimo, visão que entrega a irmãos leigos, teologos, a meretrizes, pecadores, Saulos, Davis, e rejeita aos que se agarram a tradição e a soberba.

 

Amém.

 

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Seis pontos de meu calvinismo

É claro que estou brincando – o calvinismo tem muito mais do que cinco ou seis pontos. Esses que vou citar são alguns dos que creio com respeito à salvação. E mesmo assim, nem todos os que se consideram calvinistas concordariam completamente comigo. Meu alvo é tentar esclarecer o que calvinistas, em geral, acreditam sobre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Não coloquei textos bíblicos, pois não quero provar nada – só explicar o que acredito como calvinista.

1 – Creio que Deus predestinou tudo o que acontece. O Deus que determinou todas as coisas é um Deus pessoal, inteligente, justo, santo e bom, que traçou seus planos infalíveis levando em conta a responsabilidade moral de suas criaturas. Ele não é uma força impessoal, como o destino. Portanto, as decisões que tomamos não são mera ilusão e nossa sensação de liberdade ao tomá-las não é uma farsa. Eu acredito que as nossas decisões e escolhas são bem reais e que fazem a diferença. Elas não são uma brincadeira de mau gosto da parte de Deus. De uma maneira para mim misteriosa, porém perfeitamente compatível com um Deus onipotente e infinito, ele consegue ser soberano sem que a vontade de suas criaturas seja violentada. Ao mesmo tempo, ao final, sempre prevalecerá aquilo que Deus já determinou desde a eternidade. Encaro essa relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana como sendo parte dos mistérios acerca do ser Deus, como a doutrina da Trindade e das duas naturezas de Cristo

2 – Creio que Deus predestinou desde a eternidade aqueles que irão se salvar. Esta convicção não me impede de orar pelos descrentes e evangelizar. Ao contrário, evangelizo com esperança, pois Deus haverá de salvar pecadores. Creio que Deus já sabe, mas oro assim mesmo. Sei que ele ouve e responde, e que minhas orações fazem a diferença. Sei também que, ao final, através de minhas orações, Deus terá realizado toda a sua vontade. Não sei como ele faz isso. Mas, não me incomoda nem um pouco. Não creio que minha oração seja um movimento ilusório no tabuleiro da soberania divina.

3 – Não creio que Deus predestinou todos para a salvação. Da mesma forma, não creio que ele foi injusto e nem que ele fez acepção de pessoas para com aqueles que não foram eleitos. Não creio que Deus tenha predestinado inocentes ao inferno, pois não há inocentes entre os membros da raça humana. E nem acredito que ele tenha deixado de conceder sua graça a quem merecia recebê-la, pois igualmente não há pessoa alguma que mereça qualquer coisa de Deus, a não ser a justa condenação por seus pecados. Deus predestinou para a salvação pecadores perdidos, merecedores do inferno. Ao deixar de predestinar alguns, ele não cometeu injustiça alguma, no meu entender, pois não tinha qualquer obrigação moral, legal ou emocional de lhes oferecer qualquer coisa.

4 – Creio que Deus sabe o futuro, não porque previu o que ia acontecer, mas porque já determinou tudo que acontecerá. Por isso, entendo que a presciência de que a Bíblia fala é decorrente da predestinação, e não o contrário. Negar a predestinação e insistir somente na presciência de Deus com o alvo de proteger a liberdade do homem levanta outros problemas. Quem criou o que Deus previu? E, se Deus conhece antecipadamente a decisão livre que um homem vai tomar no futuro, então ela não é mais uma decisão livre.

5 – Creio que apesar de ter decretado tudo que existe desde a eternidade, Deus acompanha a execução de seus planos dentro do tempo, e se comunica conosco nessa condição. Quando a Bíblia fala de um jeito que parece que Deus nem conhece o futuro e que muda de ideia algumas vezes, é Deus falando como se estivesse dentro do tempo e acompanhando em sequência, ao nosso lado, os acontecimentos. É a única maneira pela qual ele pode se fazer compreensível a nós. Quem melhor explica isso é John Frame, no livro "Não Há Outro Deus," da Editora Cultura Cristã, que recomendo entusiasticamente.

6 – Creio que Deus é soberano e bom. A contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo é apenas aparente e, por enquanto, sem explicação. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal. Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente afirma ambas e pede que vivamos na certeza de que um dia Deus haverá, mediante Jesus Cristo, de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

Deve ter ficado claro que um calvinista, para mim, é basicamente um cristão que aceita o que a Bíblia diz sobre a relação entre Deus e o homem e reconhece que não tem todas as explicações para as questões levantadas. Para muitos, esse retrato é de alguém teologicamente fraco e no mínimo confuso. Mas, na verdade, é o retrato de quem deseja calar onde a Bíblia se cala.

 

Que possamos Adorar a Deus pelos seus atos de bondade ao nos criar e ao nos salvar na cruz, mais que tentar entender as raizes do tempo